Catadão de março
Indicações (e às vezes reflexões) sem nenhum compromisso (parte 3/12)
Atrasou, mas vai sair no fim do mês, conforme prometido. Março é o agosto do primeiro semestre: não tem nada, custa a passar, vai se arrastando e 31 dias parecem uma eternidade. Mas vamos falar de coisa boa…
Este mês recebi um filme revelado (e devidamente escaneado) com fotos muito especiais, que tirei em 1º de janeiro de 2023. Sim, você está absolutamente certa/o se pensou “é foto do Lula” (na verdade, tem muito pouco de Lula, porque a gente tava bem longinho dele). Depois de passar quatro anos comendo o pão que aquele infeliz amassou pra todos nós, com direito a um absoluto descaso num dos piores momentos da humanidade nestes tempos já pra lá de difíceis, fomos eu, Bia e Rita (mãe da Bia) ver a posse do Lula. Foi um dos dias mais caóticos que já passei num evento — se é que dá pra chamar aquilo de algo tão simples assim. Tá mais pra acontecimento, né?!
Do filme inteiro salvaram umas 20 fotos, das quais umas oito são de multidões indefinidas já na área do Palácio, isolada para que milhares de nós acompanhássemos a posse. Devo as fotos ao amigaço Daniel Fardin, que emprestou câmera (ia levar a Minolta XG-1 aqui de casa, mas ele ofereceu uma Canon AE-1 com um filme P&B Shangai GP 100. Minha miopia me traiu diversas vezes pra fazer o foco, mas, enfim, o resultado é esse, já quase entrando no ano eleitoral que pode nos fazer reeleger o Lula ou cair no colo de extremistas irascíveis que andam rondando esse país:
(Nessa última dá pra ver claramente o Lula..)
Começar a fotografar com filme com mais frequência me fez refletir demais nos últimos meses, algo que espero trazer pra cá com mais cuidado. Mas todo o processo analógico tem sido especialmente gratificante numa realidade cada vez mais automatizada e que nos devora sem piedade. Esperar, pensar e refletir deveria ser mais fácil e gostoso, e a verdade é que se tornaram atividades penosas e desgastantes. Sigamos tentando tomar novamente as rédeas do que podemos controlar: pra onde direcionar nossa atenção.
O que tem pra hoje é isso, e fica minha promessa de em abril voltar com indicações mais bacanas do que quatro fotos mais ou menos desfocadas que tirei há dois anos.





